VALE DA LUA

 

Jackson Pollock, certa vez, afirma "eu não pinto a natureza, eu sou a natureza".

 

Quando falamos sobre a Chapada dos Veadeiros, e mais especificamente sobre o Vale da Lua, pensamos em uma natureza exuberante e forte. Mas existe uma experiência interna envolvida nesse lugar que atraí pessoas do mundo todo não só por sua beleza, mas por sua energia. Em seu subsolo, há uma placa geológica com toneladas de cristais de quartzo. Acredita-se que esses cristais influenciam e intensificam as experiências ali vividas.

 

Pouco depois do falecimento de sua mãe, Gatti viaja para a Chapada dos Veadeiros. O momento delicado de sua vida inicia um processo de renascimento no artista, intensificado por esse misticismo plural e único do lugar. Essa série é um registro não só dessa jornada emocional e pessoal, como um manifesto simbólico da solidão e vulnerabilidade de todos nós, filhos da mãe natureza.

 

Ele encontra no Vale da Lua uma representação perfeita da natureza como mãe. A imensurável força das correntes d’água esculpem as rochas do Vale da Lua como uma mãe esculpe e educa um filho. Os sons ecoam pelo Vale, refletindo em suas pedras como a dor de um filho reflete em uma mãe.

 

O objeto de observação aqui é o amor de mãe, que renuncia e acolhe. É seguro, calento e infinito. O confronto com a super dimensão do planeta revela algo muito peculiar sobre a natureza humana.

 

Em posição fetal, uma mulher se encolhe em uma cavidade de pedra e inicia uma conversa visual sobre a figura da mulher e o que ela representa naquele contexto. A origem, o ser humano e a revolução que se inicia no berço. Um registro de igualdade entre a força da mulher, do amor de mãe e da natureza. O encontro das maiores e mais complexas forças do universo devassam o mar de pedras e deslizam sobre as rochas. Elas, no lugar de desconforto, entregam aconchego e uma maternidade natural que acalma e alimenta a alma, como se a preparasse para uma próxima etapa.

 

Essa imersão nos remete ao corte do cordão umbilical — nosso e de Gatti — e ao primeiro respiro de natureza para dentro de si, que vibra, incomoda, arde, mas é necessário e intrínseco na essência do que é estar vivo.

 

Eu sou a natureza.

 

 

 

 

 

ENG

 

 

 

VALE DA LUA

 

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Jackson Pollock once said, “I don’t paint nature, I am nature”. When we talk about Chapada dos Veadeiros, and more specifically about Vale da Lua, we think of an exuberant and strong nature. But there is an internal experience involved in this place that attracts people from all over the world not only for its beauty, but for its energy. In its subsoil, there is a geological plate with tons of quartz crystals. It is believed that these crystals influence and intensify the experiences lived there.

 

Shortly after his mother’s death, Gatti travels to Chapada dos Veadeiros. The delicate moment of his life starts a process of rebirth in the artist, intensified by this plural and unique mysticism of the place. This series is a record not only of this emotional and personal journey, but also a symbolic manifestation of the loneliness and vulnerability of all of us, children of Mother Nature.

 

He finds in Vale da Lua a perfect representation of nature as a mother. The immeasurable strength of the water currents sculpt the rocks of Vale da Lua as a mother carves and educates a child. The sounds echo through the Valley, reflecting on its stones as a child’s pain reflects on a mother. The object of observation here is the love of a mother, who renounces and welcomes. It is safe, warm and infinite. The confrontation with the super dimension of the planet reveals something very peculiar about human nature.

 

In a fetal position, a woman curls up in a stone cavity and initiates a visual conversation about the figure of the woman and what she represents in that context. The origin, the human being and the revolution that begins in the cradle. A record of equality between the strength of women, motherly love and nature. The encounter of the largest and most complex forces in the universe ravages the sea of stones and glides over the rocks. They, instead of discomfort, deliver warmth and a natural motherhood that soothes and nourishes the soul, as if preparing it for the next stage.

 

This immersion leads us to the cutting of the umbilical cord - ours and Gatti’s - and to the first breath of nature into itself, which vibrates, disturbs, burns, but is necessary and intrinsic in the essence of what it is to be alive.

 

I AM NATURE.